Dia das Ferramentas de Tradução

 

Realizou-se no passado sábado, 16 de junho, o Dia das Ferramentas de Tradução na FCSH da UNL. A organização coube aos professores David Hardisty e Marco Neves. O evento de um dia incluiu apresentações sobre ferramentas de tradução assistida, como preparar ficheiros PDF para tradução e ainda sistemas de reconhecimento de fala. Este último tema deu direito a uma demonstração do Dragon. Numa outra sala, em simultâneo, realizaram-se ainda workshops sobre o ABBYY FineReader, o Trados Studio 2017 e o memoQ.

 

Ferramentas de tradução

A manhã começou com uma apresentação sobre o Trados Studio 2017 por um representante e revendedor da SDL. Os tradutores e alunos presentes foram lembrados da importância de não ignorarem ou subvalorizarem os avanços informáticos e a necessidade de um tradutor fazer das novas tecnologias suas aliadas na melhoria dos processos de trabalho.

Foi feita uma breve exposição da grande novidade introduzida na versão 2017 do Trados, a tecnologia UpLIFT. Esta tecnologia permite transformar memórias de tradução existentes, de modo a obter mais e melhores correspondências (matches). Por exemplo, perante um segmento sem correspondência (no match), é agora possível a identificação automática de fragmentos com correspondências na TM. Antes, esta identificação era feita manualmente através do concordance search, por exemplo.

À tarde, um aluno da FCSH apresentou as suas conclusões após ter testado o novo memoQ Zen, ainda em versão beta. Trata-se de uma versão do memoQ, na nuvem, que ambiciona simplificar ao máximo o processo de tradução. Pretende, no entanto, manter todas as vantagens de uma CAT tool. Enquanto estiver em beta, a ferramenta é de utilização gratuita.

 

 

Reconhecimento de fala

O Dragon é um software de reconhecimento de fala cada vez mais reconhecido entre tradutores por melhorar a produtividade e aliviar a tensão sobre o corpo, em particular, sobre coluna, braços e pulsos. Através de um microfone ligado ao computador, o utilizador dita o conteúdo que o software converte em texto. Para tradutores, o processo passa por ditar a tradução em voz alta para o computador. Mais voz e menos trabalho de mãos. O software requer habituação, mas garante quem o utiliza que vale a pena investir o tempo necessário na aprendizagem. As vantagens prendem-se sobretudo com a redução do tempo de trabalho, pois falar/ditar requer menos tempo do que escrever, assim como a melhoria da qualidade de vida no trabalho devido ao conforto ergonómico que o reduzido contacto com o teclado e com o rato proporciona.

 

Existem vários reconhecedores de fala. No entanto, segundo a professora Helena Moniz, não existe nenhum que funcione bem com todas as línguas. Uns são bons em algumas línguas, enquanto outros são bons noutras. E há ainda alguns que não são bons em nenhuma língua.

O VoiceInteraction é outro exemplo de software para processamento computacional da fala. Estas ferramentas também são já largamente utilizadas por profissionais nas áreas da saúde, do direito e da comunicação social.

 

memoQ

Não sendo (ainda) utilizadora do memoQ, decidi participar num dos workshops sobre a ferramenta. Vários colegas dizem que, quando já estamos familiarizados com uma ferramenta de tradução assistida por computador, é muito mais fácil aprender a trabalhar com as restantes. De facto, é verdade. Aprender as funcionalidades básicas é muito fácil e, com alguma prática, acredito que rapidamente os processos se tornarão mecânicos.

O ambiente de tradução do memoQ faz-me lembrar bastante o do Memsource.

A comparação com o Trados Studio é inevitável e, nesse campo, devo dizer que me agradou bastante o facto de não ter a obrigação de escolher uma variante do idioma aquando da criação do projeto, como acontece com o Studio. Ou seja, ao criar um projeto de tradução de EN para PT, não preciso de especificar se o inglês é britânico, americano ou outro. No Studio, existe essa obrigatoriedade que, a meu ver, é injustificada. Imagine-se que o cliente nos envia uma TM para um trabalho específico, identificada apenas como sendo de EN – PT. Se criarmos um projeto para inglês (Reino Unido) e a TM tiver sido criada como sendo de inglês (Estados Unidos), recebemos uma mensagem de erro. Estas situações são passíveis de serem corrigidas, é evidente, mas é tempo que se perde desnecessariamente.

Existe muito por explorar nesta ferramenta da Kilgray. Assim, para ir testando antes de se investir, é possível descarregar a versão integral de teste (memoQ translator pro), válida por 30 dias. Passado esse período, a versão mantém-se ativa numa edição gratuita para freelancers. Sendo gratuita, tem limitações ao nível das funcionalidades e não inclui apoio técnico.

 

Este evento foi bastante interessante e útil, tanto para recém-licenciados, como para novos tradutores e profissionais mais experientes. Caso se venham a realizar outros eventos semelhantes, terei todo o gosto em estar novamente presente na FCSH.

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